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Uma pausa para (re)conhecer os sabores do Japão

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O balcão de sushis, comandado pelo chef Armando fotos: Rafael Salvador

No Paraíso, entre as ruas que sobem e descem em direção à avenida Paulista, uma das esquinas se disfarça de residência entre os prédios de São Paulo. Ela fica ali, entre as ruas Sampaio Viana e Oscar Porto. Um sobrado com janelas grandes, tijolos de barro maciço aparentes e dois peixinhos indicando o número da casa. A combinação de cores, vermelho e branco, pode ser um primeiro sinal de que ali há um estabelecimento japonês.

Mas os indícios de que ali tem um restaurante são poucos. Ao perceber o letreiro, já perto da porta, e a bandeira com um ideograma japonês, o cliente é convidado a entrar e passar pela porta de correr.  Na sala, a decoração de quadros com temas japoneses e o aquário vão dando os ares de restaurante. No caminho para a cozinha, fica o balcão de sushis. A arquitetura do Shigue é mantida para dar a sensação de estar em casa mesmo, para reunir a família e os amigos.

No balcão, fica o chef da casa, com espaço para os mais curiosos que querem acompanhar a produção dos pratos frios. Para aqueles que preferem um espaço mais reservado, tem o andar de cima, com sofás e mais mesas.

O nome do restaurante Shigue, que pode ser interpretado como “prosperidade”, foi sendo construído ao longo de mais de onze anos. Prosperidade essa que foi alcançada inicialmente no boca-a-boca, principalmente entre os japoneses que vivem em São Paulo e que buscavam aqueles sabores da terra natal, ou “furusato”.

Foi com esse mote que o restaurante começou a ganhar visibilidade. “Uma vez, fizeram uma matéria sobre saudades da terra natal, e um dos entrevistados foi um japonês da Fundação Japão. Ao falar sobre onde ele matava as saudades quando sentia falta da comida, ele falou que vinha aqui”, comenta o chef Armando Shigueyoshi Hata.

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O andar superior oferece um espaço mais reservado

O cardápio

O cardápio retoma os sabores comuns ao cotidiano de um japonês, não só com os requintados sushis e sashimis, mas com opções de pratos típicos da cozinha quente, como grelhados, donburis (tigelas de arroz acompanhado de diferentes tipos de carne), okonomiyaki (à moda Kansai) e salada temperada com um “molho secreto”.

A mistura de sabores do molho da salada desafia o paladar de quem tenta descobrir o que vai nele, por isso, quem quiser levar para casa, pode comprar uma embalagem de molho para viagem.

Assim como na maioria das refeições japonesas, o arroz da casa não é só um acompanhamento e merece atenção especial de quem o degusta.

A proposta do restaurante é de trazer a comida típica, e Armando explica que tenta manter o sabor dos pratos o mais próximo da comida do Japão. “Aqui no bairro, moram muitos japoneses que frequentam o Shigue, por isso, não mudo muito as receitas”, conta o chef. “Antes, os brasileiros não gostavam muito do agridoce, mas hoje estão mais acostumados com o tare, por exemplo”.

Perfil: Enilva e Armando Hata, do Shigue

Receita: Zaru soba