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Sake, shochu e awamori

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O evento 'Kokushu, uma dose de Japão' promoveu a degustação de bebidas japonesas em São Paulo
Sake, shochu e awamori são as principais bebidas alcoólicas produzidas no Japão. Com o objetivo de apresentar e transmitir informações sobre elas, o evento Kokushu: Uma Dose de Japão aproximou produtores, entusiastas e interessados.

O evento aconteceu no dia 10 de agosto, no Nikkey Palace Hotel, em São Paulo; com organização da Japan Sake and Shochu Makers Association (JSS), Adega do Sake, Dô Cultural e Japorama, com apoio do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Japan External Trade Organization (Jetro) e Receita Federal do Japão.

Bebidas nacionais

O que significa “kokushu”? “São as bebidas alcoólicas nacionais do Japão, como o sake, shochu e awamori. Todas utilizam um fungo chamado koji. Para fazer o sake, é utilizado o koji amarelo, que vem do arroz. O shochu usa o koji branco. O awamori usa o koji preto, cuja origem é a província de Okinawa”, explica Shigeyuki Shinohara, presidente da JSS.

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Sala cheia durante o seminário sobre bebidas japonesas

“Sake é uma bebida fermentada de arroz. Não existe outro ingrediente para fabricá-lo. Depois temos o shochu, um destilado que pode ser à base de qualquer ingrediente, exceto frutas. O awamori é um destilado também, específico da ilha de Okinawa, feito apenas com o kuro koji”, acrescenta Alexandre Iida, proprietário da loja Adega do Sake e nomeado Sake Samurai pela Japan Sake Brewers Association Junior Council em 2015.

“Nosso objetivo é fazer com que o sake, shochu e awamori não fiquem apenas dentro do Japão; que se tornem bebidas representativas do Japão no exterior. Quero que as pessoas experimentem e que tenham o conhecimento correto dessas bebidas”, continua Shinohara.

Com a cooperação da Jetro, eventos semelhantes acontecem em outros países, especialmente nos EUA, Europa e Ásia. “Há oito anos, iniciaram-se vários trabalhos fora do Japão para a divulgação das bebidas. Em cada país, não houve uma pessoa que dissesse que era ruim. A partir do momento em que o fornecedor ou produtor vai até os consumidores, é evidente que eles vão gostar, pois é possível perguntar, tirar dúvidas e obter mais informações. Como consequência, tem-se o aumento do mercado”, afirma Tokubee Masuda, presidente da produtora Masuda Tokubee Shoten.

Durante a coletiva de imprensa realizada na véspera (dia 9), foi perguntado aos produtores a respeito dos coquetéis com sake preparados no Brasil, as “sakeirinhas”.

“Impensável”, disse Shinohara. “Qual a necessidade de colocar outros ingredientes, já que a própria bebida tem tons frutados e sabores agradáveis?”, questionou, ressaltando que as opiniões são sempre diferentes mesmo dentro da associação.

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Da esquerda para direita: Masumi Nakano, Tokubee Masuda, Shigeyuki Shinohara, Tsutomu Oshiro e Hisanori Komaki Foto: Henrique Minatogawa

Para Masumi Nakano (presidente da Dewazakura Sake Brewery) e Tokubee Masuda, o coquetel pode ser válido. “Se é para iniciar o mercado, para aquela pessoa que nunca experimentou sake, que seja o primeiro contato. Se gostou, daí pode começar a pesquisar, a entender. Naturalmente, as pessoas vão largar os outros ingredientes e passarão a tomar o sake sozinho”.

Seminário e degustação

O seminário contou com a presença de aproximadamente 300 pessoas, entre profissionais de gastronomia, jornalistas, estudantes e interessados em geral.

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Cada produtor foi recebido no palco pelo apresentador Kendi Yamai

Entre os assuntos abordados na parte inicial, estiveram o conceito e histórico do sake. Em seguida, fatores que influenciam a produção, tais como tipo e grau de polimento do arroz. Finalmente, a classificação da bebida.

“O sake realça não apenas a culinária japonesa, mas todas as outras também”, destacou Shigeyuki Shinohara. “Observando a bebida, é possível saber um pouco da cultura de cada país”, completou Masumi Nakano.

Sobre o shochu, a explicação coube a Hisanori Komaki, diretor da Komaki Brewing. Diferente da história milenar do sake, o shochu é considerado jovem pelos padrões japoneses: apenas 400 anos. Conforme supracitado, é uma bebida destilada, feita principalmente de quatro ingredientes: trigo, batata-doce, cevada e açúcar mascavo.

Tsutomu Oshiro, presidente da Chuko Awamori Distillery, explicou a destilação chegou a Okinawa no século XV pela Rota da Seda. Segundo Oshiro, o awamori pode ser consumido de diversas formas: diluído com água gelada ou quente, com gelo, com água gaseificada e em coquetel.

Oshiro ainda contou um pouco das tradições envolvendo o awamori em Okinawa. Quando um filho nasce, é costume o pai comprar uma ânfora de awamori e deixar guardada até que ele complete 20 anos (a maioridade no Japão) para que bebam juntos. Há ânforas específicas para presentear em casamentos, mudanças de casa e outras situações; dessa forma, uma família pode ter muitas guardadas em casa. “O consumidor continua a maturação”, afirma Oshiro, que levou à degustação um awamori envelhecido 10 anos.

Beber para crer

Encerradas as palestras, o eventou continuou com a degustação, que recebeu a inscrição de mais 200 pessoas. Foram levados 13 rótulos de sake e cinco de shochu e awamori. Como acompanhamento, foram servidas diversas opções de finger food.

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Degustação das bebidas trazidas pelos produtores direto do Japão

Os visitantes puderam apreciar a exposição de ikebana organizada pela Associação de Ikebana do Brasil, e painéis com caligrafia tradicional dos primeiros-ministros do Japão. Como atrações musicais, a professora Tamie Kitahara organizou apresentação com instrumentos típicos como koto, shamisen e o shakuhachi de Shen Ribeiro. O cantor Joe Hirata e o grupo Todoroki Taiko também participaram do show com a música “Kampai”, cujo nome é a expressão em japonês para a realização de brindes (o “saúde!” em português).

A degustação proporcionou contato direto entre os produtores, que foram assistidos por uma equipe de tradutores.

Tsuyoshi Murakami, chef do Kinoshita, esteve presente no evento. “Como nós desenvolvemos nossos produtores, esse negócio de estar junto, tantos produtores, é muito positivo. Foi muito legal essa coisa de estar aqui o pessoal para falar sobre o sake, shochu e awamori. O Brasil sai ganhando. Isso é bacana para o business de restaurantes, em que a gente leva, com a nossa culinária japonesa, mais cultura e profundidade a todos os interessados”, disse o chef.

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O empresário Marcelo Fernandes e o chef Tsuyoshi Murakami marcaram presença no evento

Murakami também aprovou a degustação. “Tudo em doses homeopáticas. Assim, quem consome pôde ter uma percepção dessas obras de arte. Para mim, são obras de arte. Sei que existem outras bebidas, mas degustar o sake do Japão, entendido como as bebidas alcoólicas do Japão, foi emocionante. Fico até emocionado”.

O empresário Marcelo Fernandes também ficou satisfeito com o evento. “Estar em um evento destes nos permite ter mais propriedade primeiro para colocar cultura, e segundo, é uma oportunidade para nossos clientes degustarem. É uma aproximação muito grande. Eles também proporcionaram uma situação muito importante na atual conjuntura para a gente divulgar mais ainda o shochu e o sake. Foi muito produtivo comercialmente e culturalmente essa oportunidade de encontrar com os produtores.”

“Foi um evento muito bem pensado. Atingiu um público interessante e interessado. É uma honra ter pessoas do Japão envolvidas diretamente com a produção do sake, shochu e awamori vindo falar e mostrar o trabalho deles e todo o desenvolvimento”, comentou a chef Telma Shiraishi, do Aizomê.

A chef pâtissier Vivianne Wakuda vê boas perspectivas na combinação do sake com a confeitaria. “É uma bebida que tem que ser explorada e usada de várias formas na confeitaria. Assim como o whisky, conhaque e licores são muito utilizados nas receitas, o sake também tem seu espaço”, conta. “Ultimamente, tenho feito alguns testes com sake. Não apenas o sake, mas outras bebidas japonesas também. Fiz alguns recheios de bombom, combinados com kinako e gergelim. Ainda estou desenvolvendo, porque tem alguns sakes que são muito delicados e acabam sumindo no meio do chocolate”, completa a chef.

Ainda, Vivianne comentou sobre a parte teórica do evento. “A palestra foi muito interessante porque eu não tinha muita noção sobre o shochu. Foi muito rico, muito bacana. Eu não tinha muita ideia do aspecto técnico, dos modos de produção, das possibilidades, dos tipos de grãos e tubérculos que são utilizados”.

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Abertura do evento Kokushu

Para a consultora de sake Yasmin Yonashiro, o evento mostrou a abrangência que as bebidas japonesas têm. “Todos nós que trabalhamos na área nos preocupamos em mostrar que não é só sake; existe shochu e outros produtos que fazem parte da cultura japonesa. Este evento mostra que o Japão está vendo que as pessoas no Brasil estão se interessando cada vez mais por sake e shochu”.

Yasmin aprova o formato de degustação. “Com a degustação, é possível mostrar como a categoria tem potencial maior. As pessoas conseguem visualizar melhor,começa a notar as diferenças entre os sakes”.

“Foi um evento superimportante. Creio que os brasileiros ainda não tinham visto um evento desta magnitude, com coordenação deste porte. Pensaram em coisas muito diferentes, com contato direto com os produtores. Eu falei com consumidores, que tiraram dúvidas, por exemplo, onde poderiam experimentar mais, aprender mais… Foi uma forma de aguçar o interesse”, afirma Sonia Yamane, consultora e sake sommelier do Kinoshita.

O evento Kokushu: Uma Dose de Japão ofereceu aos participantes noções teóricas com o seminário e um breve contato por meio da degustação. O contato direto com produtores e outros profissionais da área foi um grande diferencial que pode ajudar a expandir o mercado das bebidas japonesas, assim como ampliar o entendimento sobre o assunto por parte do público.

Veja mais fotos do “Kokushu, uma dose de Japão”