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Perfil: Enilva e Armando Hata, do Shigue

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foto: Rafael Salvador

A trajetória do restaurante começou quase que por acaso. Quem comanda o Shigue não é só o chef Armando Shigueyoshi Hata, mas também sua esposa, Enilva Hata. “Na verdade, quando o estabelecimento foi inaugurado, eu ainda trabalhava em outro lugar e não era para eu ficar aqui. Estava só ajudando e acabei ficando junto no restaurante”, conta Armando.

Ambos já tinham experiência em diferentes áreas de restaurantes japoneses e, aos poucos, foram conquistando os clientes. A casa já tem 11 anos, mas a história do casal começou muito antes.

#HASHITAG Como foi o começo da sua carreira em restaurantes japoneses?

Enilva: No meu primeiro emprego em restaurante japonês, aprendi muitas coisas. Inclusive, a gelatina de café que está até hoje no cardápio, aprendi com a minha chefe de lá. Depois segui para o Suntory (atual Shintori). Fui a primeira brasileira a vestir um kimono no Suntory. Na época foi difícil porque não me aceitavam; as outras funcionárias não gostavam muito de mim, mas continuei firme por doze anos até que surgiu a oportunidade de abrir o Shigue.

Armando: Comecei na cozinha de um restaurante que fica dentro de um clube de golfe. Eu morava perto desse restaurante e comecei lá. Vim pra São Paulo e ainda passei por outras casas aqui e no Japão. Quando voltei estava aquela febre de restaurantes japoneses. Trabalhei em um, que hoje já não existe mais, mas se chamava Semba. Na época, estava começando e me falaram muito bem de lá e fui trabalhar. O dono era o [Masanobu] Haraguchi-san, que hoje comanda o restaurante Ban, na Liberdade. Trabalhei com ele por dois anos, depois fui para o Sea House, restaurante da moda, para os jovens, no Jardins. Lá fiquei por dez anos e na verdade não ia sair de lá quando comecei a ajudar aqui no Shigue. Vinha para cá para auxiliar os primeiros meses do restaurante, mas acabei vindo naturalmente. Hoje, também trabalho no restaurante do clube de golfe, onde comecei e substituo aquele que foi o meu primeiro mentor.

#HASHITAG O fato de você não ter ascendência japonesa também dificultou?

Enilva: Quando eu ia no mercado japonês, por exemplo, me atendiam depois, por mais que o outro cliente, japonês, tivesse chegado depois. Naquela época, era difícil inclusive ver casamentos de japoneses com não japoneses. Mas hoje, as pessoas têm muito mais informações sobre a cultura japonesa.

#HASHITAG E como vocês se conheceram?

Armando: Nós nos conhecemos em uma viagem de confraternização de fim de ano. Como a gente trabalhava nos restaurantes e os donos se conheciam, acabou que estávamos nesse mesmo grupo.

#HASHITAG Os primeiros anos foram difíceis?

Armando: Como no começo eu não sabia nada, tinha que fazer as coisas que dá trabalho e que ninguém quer fazer. No começo, tinha que ficar limpando camarão, um por um e um monte. Se você não sabe fazer outras coisas, no momento é o que é possível. Aí fui passando para outras funções, começei a aprender aos poucos. Até aprender a cortar o peixe, por exemplo, leva tempo.

#HASHITAG Tem algum prato que entrou para o cardápio a pedido dos clientes?

Armando: Sim. No começo, a gente não fazia okonomiyaki, mas um cliente nosso que gostava de cozinhar veio algumas vezes para fazer aqui na nossa cozinha mesmo. Aí, oferecia para os demais clientes e as pessoas começaram a sugerir que entrasse para o cardápio. Em São Paulo, ainda são poucos os lugares que oferecem esse prato. Teve até um cliente que disse que fez uma reserva para comemorar o aniversário por causa do nosso okonomiyaki.

#HASHITAG Como foi o período em que esteve no Japão?

Armando: Eu fui para Okazaki, na província de Aichi. Fui para o Japão em 1987. Na época que estava começando o movimento dekassegui. Eu tenho uma tia que tem um restaurante lá e fui trabalhar com ela. Eu fazia um pouquinho de tudo, preparava as mesas, limpava o chão, etc. De lá, lembro que no começo achava estranho comer arroz e tomar sopa no café da manhã, mas depois comecei a gostar e até senti falta quando voltei para o Brasil.

Uma pausa para (re)conhecer os sabores do Japão