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Papo com Adegão: Kurabiraki

Em recente visita ao gelado Japão, mais especificamente na província de Saga, na ilha de Kyushu, sul do país, visitamos as principais fábricas de sakes, que têm os seus renomados rótulos da bebida espalhadas por todo o Japão e pelo mundo.

O início do ano é marcado por diversos eventos de sake, um deles é o Kurabiraki. Até hoje, muitos amigos, sabendo que tenho influência com os produtores de sakes, e ao viajar ao Japão, pedem que eu interceda para conseguir uma visita nas instalações, o que muitas vezes não é tão fácil quanto parece. Apenas para lembrar, as fábricas de sakes não são pontos turísticos e os funcionários têm seus afazeres. Em muitos kuras, são cerca de oito a dez pessoas trabalhando, cada um com a sua função indispensável. Não é justo que eu peça para destacar uma pessoa para atender um casal e, pasmem, já aconteceu de eu agendar pedindo mil desculpas, e os amigos não aparecerem. Portanto, nunca mais atendi a esses pedidos. Não posso sujar a minha reputação e a dos brasileiros honestos.

Então o Kurabiraki é um dos poucos momentos em que as fábricas convidam a população para conhecer toda a estrutura, mostrar como é feito o sake, entrar na área de produção, ter contato com os ingredientes, um verdadeiro tour pelo passado, pela tradição, pela história.

Depois os convidados vão para a degustação de 10 rótulos, em que podem escolher três gratuitamente e os demais são pagos. Na fábrica Amabuki, capitaneada pelo sr. Sotaro Kinoshita, a 11ª geração de produtores, ele pessoalmente nos guiou para uma volta personalizada e técnica. Desde a lavagem do arroz, os aparelhos para o cozimento do mesmo, a ala de cultivo do malte de arroz, a sala de malteação e também toda a parte antiga da fábrica com as suas peças preservadas por séculos.

Impressionante o carinho dado pelo produtor à equipe. Ele diz: onde o homem deve atuar, deverá trabalhar com o máximo de empenho. Tarefas que qualquer pessoa pode fazer ou que dispensam a sensibilidade humana, emprego a tecnologia. São sensores, câmeras e até aplicativos de celular que monitoram toda a produção de sake. Kinoshita continua: temos colaboradoras e não quero que elas carreguem peso e se machuquem.

Há muito tempo, existe um ditado entre os produtores de sake que diz: “da harmonia entre o homem e a natureza, faz-se um bom sake”. Aqui não só isso, mas a harmonia entre o homem e a máquina é perfeita. Kinoshita resume: “Prefiro que as máquinas nos ajudem para sobrar mais tempo para o homem pensar em inovação, absorva a cultura, que não sobrecarregue com estresse ou tarefas braçais desnecessárias”.

A fábrica Amabuki foi fundada em 1688 e já alcança a 11ª geração. No seu gigante jardim interno todo preservado, há duas esculturas dos presidentes antecessores. Do 8º e do 9º. Quase que perguntei onde estava o 10º. Não tem, pois ele é o atual Presidente de Honra, o sr. Takefumi Kinoshita. E eu desejava cumprimentá-lo, mas ele estava conduzindo um outro grupo de japoneses e eu não quis atrapalhar. Para ver que não é porque é importante que não dará tarefa qualquer. Como disse, onde o homem tem que atuar, não há distinção de tarefas. Todas são importantes.

Por isso, contatem a Adega de Sake caso desejar muito visitar uma fábrica de sakes, pois temos a relação de empresas que têm centro de visitação aberto ao público. Ou se junte ao Adegão no Circuito do Sake que anualmente visitará seis fábricas de sakes no Japão. 

adegao
ALEXANDRE TATSUYA IIDA, é um Kikisake-shi, especialista em saquê, certificado pelo SSI Sake Service Institute com sede em Tokyo, Japão. Proprietário da Adega de Sake, a primeira loja especializada em bebidas japonesas. Faz parte do corpo docente da ABS Associação Brasileira de Sommeliers, ministrando aulas e cursos de saquês, para profissionais e apreciadores. Promove degustações de saquês para o público aberto e treinamento de brigada, como a consultoria para a importação de saquês.
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