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O café e o Japão, uma relação duradoura

Vitrine do Imi Cafe

Vitrine do Imi Cafe, no piso térreo da Japan House São Paulo Rafael Salvador

A relação dos japoneses com o café brasileiro é de longa data e pode inclusive ser considerado ponto inicial da história da imigração japonesa no Brasil. Foi por causa do café e da possibilidade de empreender que Ryu Mizuno veio para cá. Como primeiro “senhor do café” japonês, Mizuno teve papel fundamental no incentivo à vinda dos japoneses ao Brasil para trabalhar em fazendas de café onde havia a tal da “árvore que dava dinheiro” (o café).

Enquanto isso, no Japão, a cultura do café foi crescendo e as relações comerciais entre o Brasil e Japão também. Em 1936, já existiam mais de 18 mil cafeterias no Japão e o principal fornecedor da bebida passou a ser o Brasil. Apesar de ser um país tradicionalmente conectado ao chá, o Japão adotou o café não só como bebida, mas como um espaço de conexão com o mundo de fora. “Café no Japão é o lugar da comunidade, da continuidade de relacionamentos ou da criação de novos. Eles testemunharam inovações, subversões e transgressões na antiga e na nova cultura urbana”, define Merry White, no livro Coffee Life in Japan (University of California Press, 2012).

café e o Japão

Imi Cafe na Japan House São Paulo Rafael Salvador

No piso térreo da Japan House São Paulo, o Imi Café, administrado pelos sócios Minori Nagai e Issao Uematsu, tem justamente essa proposta de oferecer um espaço de conexões. “O formato do Imi Cafe surgiu em uma das visitas que fiz ao Japão. Fiquei surpresa com a quantidade de cafeterias que existem nas ruas das grandes metrópoles”, contou Minori.

O nome “Imi” une três significados: imi, de imigrantes, como uma homenagem aos imigrantes japoneses que vieram para trabalhar nos cafezais do Brasil, outra pela tradução da palavra japonesa “imi”, que em português é o mesmo que “sentido, significado” e outro pelas iniciais de Issao e Minori.

Imi Cafe

Matchá Special Cake: chiffon de matcha, ganache de chocolate 54% e creme de mascarpone Rafael Salvador

“Uma das coisas que mais chama minha atenção nas cafeterias do Japão é a delicadeza de tudo na loja, a começar pelos doces, a perfeição da vitrine e o cuidado no atendimento”, observou Minori que fez questão de acompanhar todas as escolhas de perto. O empreendimento ainda contou com a ajuda do consultor de negócios Marcio Shinagawa, da barista Cecília Sanada, que elaborou uma torra exclusiva para a casa, e do confeiteiro Tadao Arakaki, responsável pelos doces e pães da vitrine.

“Temos um blend especial com torra média desenvolvida pela Cecília especialmente para o Imi Café com o café Mitsuo Nakao, do cerrado mineiro”, destacou Minori ao lembrar que o fornecedor é da quarta geração de uma das milhares de famílias que vieram trabalhar no Brasil.

Entre as opções da bebida, a casa oferece variações de espresso, iced coffee (bastante popular no Japão), e o drip coffee, que é o café coado na Hario V60 (veja neste link). Além disso, o menu inclui chá verde dos tipos matchá e sencha, em versões quente e fria.

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