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Maternidade e carreira profissional, é preciso fazer escolhas

Valéria Cedano Hirata Rafael Salvador

Aos 18 anos, Valéria foi para Portugal estudar Hotelaria. “Meu primeiro emprego nessa área foi em um café em Lisboa. Fui hostess, bartender e gerente de uma casa noturna”. Mais tarde, fez pós-graduação na Inglaterra, onde trabalhou como garçonete em eventos e pubs. Antes de voltar ao Brasil, passou três anos no Chile, período em que foi relações públicas e supervisora de qualidade de um resort.

“Quando voltei para o Brasil, aos 29, montei com alguns sócios uma empresa de consultoria para bares e restaurantes. Posteriormente, lecionei na Universidade Anhembi Morumbi, onde trabalhei por oito anos e sou muito grata.”

Foi nesse tempo que os dois filhos nasceram. “Tive a Clara aos 36 e o Theo aos 38. Fui mãe tarde [hoje tem 43]. Não me arrependo, pois foi na hora certa. Tinha boa formação, experiência internacional e minha carreira estava bem encaminhada.”

Terceiro filho

Valéria é casada com o chef Daniel Hirata. Eles se conheceram quando ele era chef executivo do restaurante Mori Ohta Sushi, para o qual a empresa de Valéria realizou o treinamento da equipe e assessoria.

Ela conta que ambos, individualmente, sempre quiseram ter o próprio negócio. “Com nosso casamento, esse projeto ganhou vida. Conversamos e idealizamos cada detalhe enquanto tínhamos nossos empregos. Primeiro casamos, tivemos a Clara, o Theo e só depois o Hirá. Nada foi precipitado.”

Sem sócios, sem plano B

O Hirá Ramen Izakaya foi inaugurado em dezembro de 2015, no bairro de Vila Madalena, em São Paulo. Valéria cuida da administração, incluindo financeiro, RH, marketing e controle de qualidade. “Exceto a cozinha, faço de tudo. Não raro, vai me encontrar tirando pedidos e servindo mesas também. Ainda tenho que encaixar reuniões da escola, médico, dentista, supermercado, festas de amiguinhos, entre outros compromissos que surgem.”

Equipe do Hirá Ramen Izakaya Rafael Salvador

O casal optou por não ter um sócio-investidor. “[No início] A maior dificuldade veio da nossa principal certeza: não queríamos sócios. Fomos muito bem orientados por um assessor financeiro. Abrimos com capital próprio e praticamente sem capital de giro. Foi difícil, mas hoje é uma das forças do negócio. Não precisamos prestar contas a ninguém, e as decisões são tomadas muito rapidamente.”

Segundo Valéria, outra força é não ter plano B. “Dessa forma, colocamos cada gota de energia no Hirá. Até porque a criação de nossos dois filhos depende do sucesso da empresa. Foi uma aposta de altíssimo risco. Nossa família não hesitou em ajudar porque sabia que tínhamos o necessário para fazer o negócio dar certo: conhecimento, experiência e perseverança.”

Valéria é mãe de Clara e Theo: ‘Ser uma mãe ocupada exige que façamos escolhas’ Arquivo pessoal


“Ser uma mãe ocupada exige que sejamos práticas e que façamos escolhas. Naturalmente, não consigo ir a todos os eventos. Semana que vem temos uma reunião sobre alfabetização, e nessa com certeza irei. Acho que sou uma mãe bem presente no fim das contas. Já me senti culpada por não conseguir cumprir toda a agenda social dos meus filhos, mas hoje vivo sob o slogan ‘faço o que posso’ e é verdade. Ambos trabalhamos e criamos nossos filhos. O Daniel é um pai presente e carinhoso. Amo demais meus filhos, mas não abro mão de realização profissional.”

A família também mora na Vila Madalena, assim como a escola dos filhos. “Organizamos nossa vida toda no bairro, e isso ajuda demais. Há algum tempo, estávamos sobrecarregados com o restaurante e tínhamos duas babás diferentes. As crianças passavam grande parte do tempo longe de nós. Ficaram muito irritadas e agressivas. Reestruturamos nossa rotina para estar mais tempo com elas. Tentamos tirar a terça de folga e sair à noite. Estão infinitamente mais tranquilos.”

Trabalhar com o marido pode ser uma fonte de desgaste. “Às vezes, acabamos falando demais do trabalho. Temos pontos de divergência e personalidade forte. Por outro lado, o admiro como pessoa e como profissional; gosto de trabalhar ao seu lado. Se apenas um tocasse o restaurante, passaríamos muito tempo longe um do outro, e isso eu não gostaria. Eu o conheci em um restaurante, e nossa história está ligada a esse mundo.”

Salão do Hirá Ramen Izakaya Rafael Salvador

Para quem quer empreender em gastronomia, Valéria alerta: “Entre muito consciente de onde está se metendo. Talvez trabalhar em algum negócio, antes de abrir o seu, para experimentar as longas jornadas de trabalho, a ausência de finais de semana e os sacrifícios. Não estaria sendo honesta se dissesse simplesmente ‘vá em frente’. É muito difícil, sim. É uma área muito dura e com pouco glamour, ao contrário do que as pessoas acreditam e a mídia por vezes transmite.”

Saiba mais: www.hiraramenizakaya.com