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Mãe empreendedora, família unida

Cristiane Sampei, da Vila Na-Na-Ya Rafael Salvador

A história de Cristiane com a culinária começa quando seu avô Naomichi chega ao Brasil em 1919. Em Marília, ele aprendeu a fazer doces e salgados. Em Mogi das Cruzes, abriu um comércio, cuja especialidade eram cocada, bombocado, queijadinha e doces japoneses tradicionais.

Anos mais tarde, na mesma Mogi, Cristiane começou a ajudar, após as aulas do colégio, na confeitaria onde a avó e a mãe trabalhavam. “Havia muitos casamentos, e de lá saíam milhares de doces. Adorava ajudar nessa parte”. Na faculdade, graduou-se em Ciência da Computação, mas manteve o interesse em gastronomia por meio de cursos e livros.

Freezer no quarto

O início da virada profissional aconteceu em 2011. “Uma colega pediu para eu fazer a decoração e os doces para o aniversário de seu filho. Acabei fazendo e levei um calote já de primeira. Porém, a festa saiu tão bonita que os amigos também passaram a encomendar.”

Entre 2011 e 2014, ela conciliou o trabalho na área de TI com as encomendas de doces nos fins de semana. “Minha mãe, meu pai e meu marido me ajudaram muito. Morávamos em um apartamento repleto de itens de decoração de festa e equipamentos de confeitaria. No quarto do meu filho Naoki [hoje com 8 anos] tinha um espaço livre, onde foi colocado um freezer.”

Em 2015, Cristiane decidiu que havia chegado a hora. “Tenho imensa gratidão à minha amiga Erika Takahashi, que me contratou para as festas da sua família. Com isso, fui ganhando confiança para deixar a área de TI e me dedicar à confeitaria.”

‘Tudo vai dar certo’

Naquele ano, a família mudou-se para Cotia. “Fomos em busca de mais espaço e qualidade de vida. Também achávamos que conseguiríamos outros clientes, mas a clientela continuou sendo de São Paulo.” A rotina foi rigorosa. “Eu saía de casa às 05:00 e voltava após as 23:00. Não tinha como conviver com meu filho. Minha mãe veio me ajudar nos afazeres da casa e meu marido teve que fazer home office. Foi então que decidimos voltar.”

Em 2016, Cristiane abriu uma loja na rua Oscar Freire. No segundo semestre, ela encontrou uma casa disponível no bairro de Vila Mariana. “Assim surgiu a Vila Na-Na-Ya Food Lab e Espaço Cultural, onde as pessoas poderão ter experiências com a culinária japonesa e que futuramente estenderemos a outras culturas.”

Choux cream da Vila Na-Na-Ya Rafael Salvador

A decisão de mudar de ponto e expandir o serviço foi um grande desafio para Cristiane, mais experiente na confeitaria. “Comecei a fazer os pratos que eu mais gostava, que são tonkatsu, karaage e chicken katsu. Já nos primeiros dias de abertura, tivemos clientes”. A parte de confeitaria abrange macaron, tortas, choux cream, dango e ichigo daifuku, entre outros.

Atualmente, a família mora perto do restaurante, o que lhes permite mais tempo de convivência. “O Naoki ajuda na organização do salão, limpa as mesas e coloca os talheres nas mesas. É importante ele começar a ter algumas responsabilidades e valorizar o que temos”, afirma Cristiane. “Ele entende que é uma rotina intensa. Quando estou muito cansada, ele me dá um abraço e diz: ‘descanse um pouco, mamãe’. É o melhor carinho depois de um dia de muito trabalho.”

Cristiane (primeira à esquerda) e a equipe do Vila Na-Na-Ya Rafael Salvador

Cristiane não tem sócios. Ela e sua equipe cuidam da administração, preparação e atendimento. Já na parte familiar, ela tem a ajuda do marido e da mãe. “Tenho gratidão e admiração imensas pelo pai e companheiro que é. Abriu mão de muitas coisas para que eu pudesse seguir com o meu sonho. Quando não pude dar a atenção que o Naoki precisou, ele esteve presente. Minha mãe me ajuda muito também. Sem ela, não teria conseguido seguir nesta fase empreendedora.”

Para quem quer empreender nesta área, Cristiane dá alguns conselhos. “Vivemos em uma geração diferente, em que a mulher sonha ter uma vida profissional de sucesso; quando não se realiza, corre o risco de passar as frustrações para o filho. Então penso que temos que estar bem resolvidas com o que queremos para nossa vida profissional. Saiba que terá uma rotina muito intensa, de mais de 12 horas, principalmente no primeiro ano.

Naoki, filho de Cristiane. ‘É importante ele já ter responsabilidades’ Henrique Minatogawa


A ideia de não poder passar muito tempo com os filhos preocupa. Por isso, no tempo que temos, precisamos saber educá-los e ensinar os principais valores da vida. Ter o suporte familiar do pai e dos avós é muito importante. Reserve um dia para fazer alguma atividades juntos.”

“Desde os 18 anos, queria ter um empreendimento próprio. Levei 18 anos para descobrir o que realmente queria. Nada é por acaso, nada é fácil. Fico mais confiante de seguir quando o Naoki diz: ‘Eu acredito em você, mamãe! Tudo vai dar certo!’”

Saiba mais: www.nanaya.com.br