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Karê: indiano naturalizado japonês

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fotos: Rafael Salvador

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O teishoku de karê com tonkatsu
Desde o início de sua história, o Japão recebeu, adaptou e consolidou elementos estrangeiros em sua própria cultura. Aconteceu com a religião, escrita, arquitetura, gastronomia…Desta vez, trataremos apenas de seu aspecto gastronômico. O karê (nome japonês do curry) tem suas metafóricas raízes na Índia. Não há registro exato de quando o karê chegou ao Japão. Uma versão conta que o condimento foi levado por ingle-ses durante a Era Meiji da história japonesa (1868-1912), quando a Índia estava sob controle da Coroa Britânica.

Com a chamada Restauração Meiji, o Japão saiu do isolamento de quase 200 anos; assim, houve grande curiosidade em relação à cultura estrangeira, o que incluiu a culinária. O karê encontrou boa recepção no Japão. Com o tempo, foi preparado de diversas maneiras, sendo acrescentado principalmente no udon, no tonkatsu e em pães.

A variação mais famosa é o karê raisu (curry rice), em que é servido com uma porção de arroz. De tão popular, o prato é considerado típico do Japão – é servido até no restaurante que fica no topo do Monte Fuji.

Onde comer karê no Brasil

Imagine um restaurante japonês que funciona no mesmo prédio do Consulado Geral do Japão em São Paulo. Satisfazer essa clientela, mais que um dever, é um atestado de qualidade. É o que o Pub Kei faz há 25 anos. Suas receitas foram elaboradas pelos fundadores Kazuhiko e Keiko Ozaki, que vieram para o Brasil nos anos 60. A família mantém a opção pelo estilo mais próximo da gastronomia tradicional japonesa, com a utilização de ingredientes importados e modo de preparo peculiar. O karê raisu é o prato mais pedido, tanto entre japoneses como entre não-descendentes, que já descobriram esse prato diferente, de tempero forte e marcante.

“O karê daqui resgata o sabor do karê do Japão. É a sensação de ‘volta às raízes’, o que na gastronomia se chama comfort food”, conta Toshi Akuta, 20 anos, cliente do restaurante há 10. “A primeira vez em que vim aqui foi com meu pai, quando estava na 5ª série”, contou Toshi, que também é chef de cozinha. “É um lugar que me traz boas lembranças”.

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