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Importação de alimentos do Japão

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Kazu Sake Emporium, administrado pela Yamato fotos: Rafael Salvador

Seja por necessidade operacional ou por simples preferência, restaurantes e lojas do segmento de gastronomia japonesa compram ingredientes do próprio Japão.

Nesse mercado, atuam as importadoras, que realizam a distribuição não apenas de gêneros alimentícios, mas também de utensílios conexos, como talheres e cerâmicas, entre outros.

Radiação

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Mime: “tivemos de suspender o funcionamento dos restaurantes”

A partir de março de 2011, em razão da crise nuclear na usina Fukushima Daiichi, os produtos do Japão enfrentaram restrições no mercado externo.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) no 15, de abril de 2011, que determinou inspeção quanto à eventual contaminação radioativa para produtos originários ou provenientes do Japão.

A resolução previa coleta de amostras, que seriam analisadas por entidades especializadas, como o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), em São Paulo.

“Esse procedimento, além de demorado, teve um custo muito alto”, explica Alberto Koga, gerente da importadora Zendai. Segundo o artigo 10o, todos os custos referentes ao controle sanitário são responsabilidade das importadoras.

Na época, restaurantes que utilizavam ingredientes japoneses sentiram igualmente o prejuízo. “A matéria-prima parou no porto; como não podíamos usar outros ingredientes, tivemos de suspender o funcionamento dos restaurantes por até três meses”, conta Tomomi Mime, consultor de vendas da importadora Yamato, que também administra restaurantes no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Em dezembro de 2012, a Anvisa revogou a RDC 15 e publicou a RDC 59, que limitou o controle para “matérias-primas e produtos alimentícios fabricados e/ou embalados em Fukushima”. Produtos de outras províncias voltaram a seguir o trâmite normal.

Inspeção rigorosa

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Koga: “existe a necessidade de rigor em relação a alimentos, mas é preciso estar preparado”

Atualmente, o processo de liberação das importações é feito de forma mais rigorosa e minuciosa – não apenas para as procedentes do Japão, mas de todos os países. Nesse intervalo, podem ocorrer mudanças no mercado.

“Todas as alterações geram dificuldade no desembaraço aduaneiro, o que causa aumento da espera nos portos e aeroportos, correndo sério risco do vencimento do prazo de validade dos produtos”, afirma William Ishiy, presidente da Tradbras.

“Existe a necessidade, claro, de rigor em relação a alimentos. Mas para fazer esse procedimento, é preciso estar preparado, ter mais agilidade, mais pessoas. Estávamos acostumados a desembaraçar um contêiner em 15 dias. Hoje, leva três meses; com sorte, dois. Já teve contêiner nosso que ficou parado por cinco meses”, considera Koga.

“Daqui para frente, vai melhorar. Só que ainda é preciso resolver o problema dos portos para, então, normalizar”, afirma Mime.

Perspectivas

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Ishiy: “o Brasil tornou-se motivo de atenção para fábricas japonesas”

Os empresários concordam que o mercado de gastronomia japonesa está se desenvolvendo positivamente no Brasil e esperam crescimento no volume de negócios nos próximos anos.

“Os consumidores vão adquirindo novos hábitos e sendo mais exigentes. Isso faz com que os restaurantes procurem matéria-prima melhor”, diz Koga.

Mime faz uma ressalva: “Para a gastronomia japonesa evoluir no Brasil, tem de ter a entrada. Se acontecer algum problema na exportação e importação, nem vai ter chance de crescer”.

“O horizonte brasileiro, apesar de todas as constantes alterações, alto custo tributário etc. está melhor que nos países mais desenvolvidos e tornou-se motivo de atenção para as principais fábricas japonesas”, avalia Ishiy.

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Parte do depósito da importadora Zendai