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Guia de restaurantes da Thomaz Gonzaga

Thomaz Gonzaga, a rua dos sabores Rafael Salvador

A pequena rua Thomaz Gonzaga, no bairro da Liberdade, esconde um oásis gastronômico para os amantes da culinária oriental. Em seus pouco menos de 150 metros, a rua abriga 20 estabelecimentos gastronômicos, contados até a publicação desta reportagem. Desde o final da década de 1960, a rua começou atraindo os imigrantes japoneses que queriam investir no próprio negócio pela capital paulista.

O bairro do centro de São Paulo já vinha se tornando um dos redutos mais frequentados pelos imigrantes japoneses. Não demoraria muito para que lojas e restaurantes começassem a pipocar pela região.

Em artigo publicado pela revista Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo, os pesquisadores Fábio Nakagawa, Michiko Okano e Regina Nakagawa analisam algumas peculiaridades da rua Thomaz Gonzaga e atribuem a caracterização estética da “rua dos restaurantes” a dois momentos históricos: o Plano de Orientalização da Liberdade, de 1974, e o projeto Caminho do Imperador, que propunha a revitalização do bairro em 2008, ambos com o intuito de transformar o bairro em um ponto turístico, uma Little Tokyo em São Paulo.

A rua dos sabores

Rua Thomaz Gonzaga, na Liberdade Rafael Salvador

Ao caminhar pela calçada, os detalhes do ladrilho e a iluminação com as lanternas criam um clima intimista que se completa com a fachada das casas antigas contrastando com as novas. No artigo, os pesquisadores explicam que, desde a sua formação, o espaço comercial do bairro da Liberdade sempre se distinguiu pela presença de estabelecimentos que se dedicam ao negócio de servir refeições.

Mesmo quando os restaurantes ainda não tinham se estabelecido formalmente, as confraternizações organizadas em hospedarias do bairro já tinham as comidas típicas como um dos elementos de agregação, um simples missoshiru, por exemplo, servia como um importante atrativo da festa. “Pode-se dizer que a própria história do bairro contribui para que a Thomaz Gonzaga mantenha, ainda hoje, traços comunicativos que remetem à orientalidade, sobretudo se considerarmos que o preparo de alimentos se configurou num dos principais códigos culturais da colônia japonesa residente na capital”, concluem.

Em 2008, com as comemorações dos 100 anos de imigração japonesa no Brasil, o projeto da prefeitura de São Paulo chamado Caminho do Imperador previa a revitalização do bairro e a rua Thomaz Gonzaga faria parte dos planos. Daquela época, o chef Luciano Ishizaka, do restaurante Fuji, lembra que os comerciantes foram consultados sobre as obras, “eles chamavam a rua de ‘a rua dos sabores’, e pretendiam melhorar a infraestrutura, mas infelizmente não saiu do papel”.

Árvores de cerejeira foram plantadas nas calçadas e novos empreendimentos foram surgindo. O gerente do restaurante Porque Sim, Daniel Minoru, conta que a rua sempre tem movimento e que “a clientela varia bastante”. “Vem turistas do exterior e de outras partes do Brasil. Em época de feriado, quem é de São Paulo vai para fora, mas quem é de fora vem pra cá”, explica.

Hoje em dia, além das casas de comida tradicional japonesa, tem casas de lámen, izakaya, robataria, comida chinesa, taiwanesa, sobremesas, com opções para todos os gostos e bolsos. Confira algumas opções a seguir e leia a matéria completa, a seguir.

Restaurantes da Thomaz Gonzaga

Lámen Ikkousha

Do outro lado da rua, uma das casas mais novas é o Lámen Ikkousha, que faz parte de uma rede japonesa de lámen de Fukuoka (província ao sul do país)  e que já está presente em 10 países fora do Japão. No Ikkousha, o carro-chefe é o tonkotsu lámen, que é servido com caldo bem cremoso feito à base de ossos de porco. O macarrão é feito na casa e o seu ponto de cocção pode ser escolhido na hora de fazer o pedido. Além do popular tonkotsu lámen, a casa também oferece opções como o shoyu lámen, tantanmen (levemente apimentado) e o God Fire Ramen (bem apimentado). Uma das sugestões de acompanhamento é o guioza, que também é feito na casa e é cozido em uma chapa trazida do Japão, especialmente para seguir o tempo exato do preparo.

Porque Sim

Há mais de 17 anos na rua, o Porque Sim é o único estabelecimento dali que une gastronomia e entretenimento. No térreo, o salão acomoda pouco mais de 30 pessoas nas mesas e algumas prateleiras guardam mangás, quadrinhos japoneses, que estão disponíveis para leitura. No primeiro andar, as salas de karaokê box comportam pequenos grupos para a cantoria. O foco do restaurante está nos pratos quentes como teishoku e o curry japonês.

Yamaga

O restaurante Yamaga existe desde 1978, mas foi em 1985 que o chef Toshizu Nonoguchi assumiu o empreendimento. Antes disso, ele já havia investido em uma casa de lámen, o Sapporo Ramen, na mesma rua. Ao vir para o Brasil, a intenção de Nonoguchi já era investir em um restaurante e trouxe de lá o diploma de cozinheiro japonês, devidamente exposto no salão do restaurante. A sua esposa, Edna Nonoguchi, cuida da parte administrativa. “Antes a rua era limitada apenas a restaurantes japoneses, agora tem comida chinesa, taiwanesa e outras. Isso foi bom porque a rua ficou bem cheia de restaurantes e tem público para tudo e para todos”.

Restaurante Yuzu

O restaurante Yuzu, antigo Gombe, também passou por mudanças desde que foi inaugurado em 1978. Agora sob os cuidados do chef Alexandre Oyama, a casa continua servindo a comida tradicional com foco nos espetinhos grelhados no carvão. “O mais pedido é o espetinho de frango com cebolinha, mas tem outras variedades”, observa Oyama.

Conhecida como uma das mais tradicionais robatarias do bairro, a casa esconde atrás da fachada meio residencial dois ambientes distintos, um balcão com a grelha no térreo e um salão com balcão de sushis e mesas largas no primeiro andar. “É bom que novos restaurantes estejam chegando por aqui, pois atrai o movimento”, avalia o chef, que já trabalha no restaurante há 40 anos, “e não acho que atrapalha porque cada um tem o seu estilo”.

Restaurante Fuji

No restaurante Fuji, antigo Hissae, tem um pouco de cada coisa para agradar a todos. Tem teppan, teishoku, lámen, udon, temaki. Segundo o chef Luciano Ishizaka, que está há oito anos no Fuji, o público varia bastante entre turistas, estudantes e trabalhadores do bairro. “Antigamente os estudantes comiam coxinha no intervalo; hoje é temaki”, brinca.

Hinodê

Um dos restaurantes mais antigos da rua é o Hinodê, que foi inaugurado em 1965. Apesar de ter mudado de dono nesse meio-tempo, o restaurante preserva seus traços antigos e continua servindo a comida tradicional japonesa.

Espaço Kazu

O Espaço Kazu agrupa diferentes serviços num único endereço. No térreo, tem opções de comida à la carte, com pratos quentes e frios da cozinha japonesa. No segundo andar, tem uma adega de bebidas importadas do Japão, o espaço do Meu Udon (que já apresentamos aqui neste post), com macarrão udon artesanal, e a confeitaria Kazu Cake, com opções de doces e bebidas de cafeteria.

Lista completa de restaurantes da Thomaz Gonzaga

  • 18, Restaurante Ban
  • 22, Restaurante Yuzu
  • 28, Tk Taverna e Kaffe
  • 36, Restaurante Fuji
  • 45-A, Sweet Heart
  • 45-E Ikkousha
  • 45-F Kenzo Sushi
  • 45-G Spoonful
  • 51, Lamen Kazu
  • 57, Bar Kintaro
  • 62, Hinodê
  • 65, Jardim Meio Hectare
  • 66, Restaurante Yamaga
  • 70, Restaurante Itidai
  • 75, Porque Sim
  • 84/90, Espaço Kazu (Meu Udon + Kazu Cake no 1º andar)
  • 98, Sushi Yassu
  • 107, Petiscos do Tigrão
  • 110, Jinroku
  • 206, Lanchonete Hoon Choi