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A felicidade da gastronomia

Todos os anos, o Festival do Japão de São Paulo aborda um tema central que serve de enredo para a decoração e para as apresentações do evento. Em 2014, o tema traz uma reflexão para os participantes sobre a “Origem da Felicidade”.

Por isso, decidimos conversar com alguns chefs para que cada um pudesse falar sobre suas próprias experiências e pontos de vista sobre o que os faz felizes na profissão e na vida pessoal.

Taka e Yoshihiro Higuchi

do Bar Kintaro

higuchi
Foto: Henrique Minatigawa

‘Temos muitos momentos e sabores que nos remetem à felicidade. Cheios de saudade e ternura. Para nós, marcou muito a comida que era feita pelas mães dos atletas depois dos treinos de sumô. Antigamente, as famílias inteiras participavam dos treinos: os garotos lutavam, os pais ficavam em volta da arena dando pitacos e as mães, na cozinha.

Não era só chankonabe que saía das mãos habilidosas e carinhosas das mães. Tinha hiyashi chuka nos dias quentes; kare raisu nos frios… Rolava até macarronada e feijoada! Pegávamos nossas tigelas e comíamos nas arquibancadas do estádio de baseball Mie-Nishi (no Bom Retiro). O treino era duro, mas aquele momento era sublime. Foi um tempo muito feliz.

Aquela coisa caseira e cheia de carinho é o que tentamos passar no Kintaro. Às vezes vem gente que come e diz: “Nossa, isso parece comida da bachan (avó)!”. Bingo! Ponto para nós.
Apesar de tudo estar bastante diferente daqueles momentos nostálgicos que consideramos os mais felizes, existem pequenos momentos de glória!’

Jidapa Tisa (Poppy)

consultora de culinária tailandesa

Jidapa
Foto: Henrique Minatogawa

‘Eu sou feliz com o que eu trabalho, como chef. Gosto quando as pessoas apreciam a minha comida e ao ver as pessoas felizes quando provam as minhas preparações. Eu fico muito feliz. Me preocupo com o que as pessoas vão dizer e é ainda mais prazeroso quando o prato todo fica vazio e vejo que elas ficaram satisfeitas.

Eu venho de uma família budista e nós prezamos o compartilhamento da felicidade, a doação. Quando eu doo, fico feliz. Quando você faz os outros felizes, você fica feliz também.

Na vida pessoal, para mim, felicidade é quando eu volto para a Tailândia e estou perto da minha família. Lá, nós também gostamos de nos reunir com todos os parentes. Cozinho para eles e ver a casa cheia é sempre bom. Ver todos comendo e conversando. Nós também gostávamos muito de conhecer novos restaurantes para provar as recomendações de amigos. Quanto mais você prova, mais você consegue compreender os sabores e adquirir mais experiência. Isso também vale para viagens e para todos os lugares a que eu vou.

Eu, como cozinheira, gosto de provar qualquer coisa. Para ser um bom chef, você precisa provar de tudo. Já que gosto muito de viajar e de conhecer diferentes culturas, sempre estou atrás de coisas diferentes nos mercados de cada país. Cada região tem uma característica muito peculiar que eu gosto de conhecer.’

Cristina Eguchi (Tininha)

chef patissier

tina eguchi
Foto: Arquivo pessoal

‘Pois bem… o que é felicidade para mim?

É viajar no sabor de cada alimento, textura, aroma. Por ser nutricionista também, consigo determinar quando é o melhor tempo de consumo do alimento e acho isso fantástico! Saber o que cada nutriente é capaz de fazer com o seu metabolismo corporal, aliviar o estresse, equilíbrio do humor…

Desde pequena tinha essa curiosidade e realmente quando a gente aprende o que é, é delirante!

Agora, quando a gente junta os temperos num determinado alimento e leva à cocção, vira alquimia de sabores. Nossa, como adoro isso!

Adoro ir a mercados, feiras livres e lojas de produtos de cozinha. É impressionante como minhas amigas acham engraçado, pois não tenho aquele “tesão” em entrar numa loja de roupas ou sapatos.

Tenho uma profissão que exige que eu fique quase 12 horas em pé, sob grande pressão. Mas a minha escolha por ela é por amar o que gosto de fazer. Sim, tentei desistir várias vezes, pelos motivos financeiros, qualidade de vida, ter que trabalhar nos domingos e feriados. Porém, ao pensar que não poderia ter a chance de criar, desenvolver e mostrar isso às pessoas e ver o rosto delas com aquele “hmmmmmm!!!”, voltava atrás. Talvez pudesse segui-la como um hobby, mas é diferente ser assim sendo um profissional de verdade na “carteira”. A gente sabe o que faz!

Minha área especificamente é a confeitaria, que nada mais é que a alquimia dos açúcares, do cacau, do trigo, das frutas, do leite. Cada um tem seu tempo para desenvolver, equilíbrio para ficar como um “oh! Dos deuses”. Transformar tudo isso é gratificante.

Agradeço aos meus pais por sempre apoiarem as minhas loucuras na cozinha e por sempre estarem dispostos a experimentar as minhas criações.

Sou feliz porque sempre estou acompanhada de gostosuras!’

Carlos Watanabe

chef do Sushi Kiyo

carloswatanabe
Foto: Rafael Salvador

‘A maior felicidade que posso ter é quando vejo, no semblante das pessoas, a satisfação que elas tiveram ao provar a comida que eu faço. Essa é a maior alegria que eu tenho profissionalmente.

Na vida pessoal, a maior felicidade que tenho é poder ter um tempo para os amigos e para a família. Não sou muito exigente. São coisas que dificilmente eu tenho, geralmente aos domingos. Então quando tenho, aproveito com muita intensidade. Quando estou com meus amigos, aproveito o momento com muita intensidade. Quando tenho uma reunião de família, brinco com meus primos, tios. Esses momentos são muito importantes. Entre as comidas da família, gosto de kombu gobo no nitsuke e de sekihan.

Hoje, uma coisa que me deixa muito feliz é quando o meu pai prepara sushi para a gente comer. Todo sábado é um ritual. Ele faz os sushis para a minha mãe e sei que quando ele faz para mim, é uma forma de ele demonstrar carinho, pois ele sabe que eu estou dando duro.

O sushi do meu pai, para mim, é como se fosse um pedaço do paraíso. É muito bom! Não é simplesmente um bolinho de arroz com peixe em cima. Cada momento em que eu tenho a oportunidade de provar as coisas que meu pai faz é muito importante, porque é uma forma de preservar a memória gustativa da principal referência que eu tenho; é uma forma de preservar a consistência exata do arroz, o sabor, o formato do sushi, o peso, o corte do peixe e a sensação de tudo isso na boca. Um dia, quero retratar aquilo que meu pai prepara porque quero fazer um sushi como o dele.’

Perfil do chef Carlos Watanabe

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