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Esteira com sushi

Por Henrique Minatogawa e Jo Takahashi

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Kaitenzushi é o sistema que usa uma esteira giratória para levar o sushi até o cliente. A ideia foi do sushiman e empresário japonês Yoshiaki Shiraishi (1914-2001), inspirado nas esteiras de linhas de produção de fábricas.

Shiraishi inaugurou o primeiro de uma futura rede de restaurantes de kaitenzushi em 1958, em Osaka. Ainda em funcionamento, a Mawaru Genroku Sushi atualmente conta com 10 lojas, nove em Osaka e uma em Hyogo. O nome “genroku” é muitas vezes usado como sinônimo de kaitenzushi e também batiza restaurantes do estilo no Japão e no mundo.

A esteira percorre a extensão do balcão; os clientes escolhem o que querem comer e retiram o prato diretamente, ainda em movimento. Um sushiman é responsável por abastecer a linha e também preparar algo a pedido do consumidor.

Em geral, a cobrança é feita conforme a cor do prato consumido. No Japão, existem máquinas que realizam essa tarefa.

Popular e considerado fast food no Japão, alguns restaurantes brasileiros investiram no sistema como seu diferencial.

Nagarê Sushi

No shopping e no aeroporto

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Esteira do Nagarê Sushi: praticidade e facilidade de escolha Foto: Henrique Minatogawa

A estratégia do restaurante Nagarê Sushi foi ter unidades em locais com grande fluxo de pessoas apressadas – algo comum em uma cidade como São Paulo. Assim, há unidades no Morumbi Shopping, Shopping Iguatemi Alphaville e no Aeroporto Internacional de São Paulo.

“Sempre imaginamos abrir um restaurante em shopping, mas com algo diferente”, conta André Kappaz, sócio do Nagarê Sushi.

“A praticidade foi o que nos levou à esteira. Especialmente em São Paulo, as pessoas têm muita pressa, querem comer rapidamente. Aqui na região do Morumbi, às vezes, a pessoa tem meia hora de almoço. Se precisar comer em 10 minutos, ela consegue”, avalia.

A loja do Morumbi Shopping é a mais antiga, prestes a completar 12 anos. Em Alphaville, são quatro anos. A mais recente, com menos de um ano, é no aeroporto. “A pessoa já pega trânsito para chegar, faz o check-in correndo… A esteira funciona muito bem lá”, afirma.

Segundo Kappaz, a esteira também facilita a escolha para quem não sabe o nome dos pratos à disposição. ”A grande maioria não sabe o que é uramaki e hosomaki, então, na esteira, a pessoa pega com os olhos. Não precisa pedir”.

A cobrança é feita de acordo com a cor do prato, variando de R$ 10 a R$ 20. É possível pegar a quantidade que quiser ou um combinado por preço fixo.

Na esteira, estão disponíveis variedades de sushi, sashimi, jyo, temaki e uramaki, entre outros. Os pratos ficam tampados e rodam por, no máximo, 30 minutos.

Instalação e manutenção

A instalação do sistema no Nagarê Sushi foi feita por uma empresa especializada em esteiras industriais. Kappaz conta que a adaptação para restaurante foi complicada.

“Foi difícil a adaptação ao restaurante. Quebramos a cabeça para fazer o projeto, como iria funcionar e como seria a manutenção. Porque se a esteira parar, o cliente vai reclamar”, lembra.

Por outro lado, a manutenção tem se mostrado mais simples. “Chamamos a empresa a cada seis meses para verificar o motor e lubrificar. Em 11 anos, trocamos apenas uma vez o motor, que é elétrico”.

A esteira tem cerca de 20 metros de comprimento total. Em velocidade baixa, que é o padrão da casa, uma volta completa leva aproximadamente 2:30 minutos.

“No começo, as pessoas tinham muitas dúvidas sobre o funcionamento da esteira. Hoje, já estão acostumadas, e o sistema é muito bem aceito. É um chamariz do restaurante”, finaliza Kappaz.

Mawari Kaiten Sushi

Espaço iluminado e fluido

mawari_Espaço iluminado e fluido Foto Norio Ito Kaminari
Foto: Norio Ito/ Divulgação

“Nossa esteira é mais comprida que uma piscina olímpica”, avisa orgulhoso o proprietário Angelo Miyake, do Mawari Kaiten Sushi. De fato, são 52 metros de um trajeto que passeia por toda a extensão do amplo e iluminado restaurante, dando uma passada também pela fachada com fresta de vidro, onde os curiosos se postam do lado de fora para contemplar o desfile de delícias que deslizam pela esteira, e que, uma hora ou outra, irão fisgá-los para dentro. “Mawari” em japonês significa rotação, e esse percurso circular de sushis é uma das boas novidades na cidade. Para quem ainda não tem intimidade para encarar um balcão e pedir seus sushis preferidos diretamente ao sushiman, o kaitenzushi pode ser uma boa experiência de iniciação.

Os sushis e sashimis são identificados pelos pratinhos de bordas coloridas. Cada cor tem um preço. Assim fica fácil se controlar na comilança. As peças, a maioria em pares, são bem coloridas para atrair pela visão. Vale até tomate no topping para dar um acento diferenciado. Aqui não faltam combinações com cream cheese em abundância, às vezes, até com goiabada. Para quem prefere o ortodoxo, vale experimentar o sushi de salmão maçaricado. Melhor que passá-lo no shoyu, é pedir ao garçom uma porçãozinha de flor de sal.

Apesar de oferecer um cardápio a la carte, o carro-chefe da casa é mesmo a esteira, sobre a qual surfam sushis, sashimis e ceviches preparados na hora. Os pratos que não foram pinçados pelos clientes são retirados rapidamente para não ficarem ressecados.

A decoração do ambiente é elegante, com pé direito alto e espaço fluido. É nesse espaço aéreo que origamis de tsuru (criação de Adriana Suzuki Origamis Especiais) flutuam e parecem voar, dando um toque de leveza, requinte e descontração.