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Empreendedores de food truck investem em ponto fixo

Foto: Rafael Salvador

Há exatos dois anos, a #hashitag, em sua edição do inverno de 2015, produziu um especial sobre food trucks de culinária oriental. Desta vez, conversaremos com dois deles por uma razão: do ambiente móvel, estão estendendo suas atividades para um estabelecimento fixo.

“Nós vimos uma oportunidade nesse mercado da comida que nós servimos”, conta Marcelo Inoue, sócio do food truck e agora restaurante Yu Yatai, cuja especialidade é o okonomiyaki e takoyaki. “Não tem muitas casas especializadas nesses pratos em São Paulo. Migrar do trailer para um ponto fixo foi mais uma questão de oportunidade. Claro, o mercado de food truck, depois daquele boom, deu uma caída”, completa.

“Eu vejo como uma evolução do negócio [abrir um restaurante], como o amadurecimento do meu projeto de trabalhar com comida. Comecei com o food truck há dois anos e meio porque estava em evidência, então foi a forma que eu entendi que poderia entrar no segmento de alimentação”, afirma Marcos Miyake, do Furikake Food.

Localização

‘No restaurante poderemos oferecer mais conforto’, avalia Miyake.

O restaurante Furikake Food estava em fase de planejamento no tempo da produção deste texto. Miyake recebeu a equipe da #hashitag apenas alguns dias depois de receber as chaves do imóvel que escolhera para abrir seu novo empreendimento. A previsão de inauguração é setembro, na Vila Mariana.

“Eu conheço este bairro. Moro perto daqui. Afinal, ter um pouco de qualidade de vida é importante. Comercialmente, tem faculdades cujo público é de poder aquisitivo interessante. É um polo de entretenimento. Acredito que as pessoas da região são abertas para experimentar minha culinária. Tem também descendentes de japoneses. Não quero ficar só neste nicho, mas é importante ter um fluxo de orientais que já conhecem os pratos”, explica.

O Yu Yatai, inaugurado em abril, não fica muito distante, a menos de 3 km, no bairro de Mirandópolis. Marcelo explica que o trabalho com o food truck ajudou a definir o local onde seria instalado o restaurante, pois percorreram várias regiões da cidade e identificaram o ponto que apresentava resultados melhores. “Eu morei muito tempo por aqui e parte da minha família ainda mora. Isso pesou um pouco também”, conta.

Marcelo conta como foram os primeiros dias após a inauguração. “Eu estava muito apreensivo com a operação, caso tivesse muito movimento. Fizemos um soft open, não divulgamos muito. Foi bem tranquilo. No fim de semana, começou a melhorar. Chamamos os amigos mais próximos para começar a rodar a operação. Depois, começamos a divulgar mais”. O restaurante conta com cerca de 20 lugares e uma equipe de seis pessoas para atendimento e cozinha.

Truck na ativa

Foto: Rafael Salvador

Formado em Administração de Empresas, Miyake teve no food truck sua primeira experiência no mercado de gastronomia. “Foi uma superescola para mim como empresário e como cozinheiro. Aprendi muito a mexer com a operação comercial, a gerenciar um negócio focado em comida. O cliente fica a um metro de distância e vê o que estou fazendo no preparo. Inclusive, vou cozinhando e conversando. Quando finalizo o prato e entrego, e o cliente dá a primeira mordida, já é possível sentir se gostou ou não. Isso é algo importante para se prestar atenção”, afirma.

No futuro restaurante, ele pretende manter o mesmo estilo informal. “Será um ambiente descontraído, mantendo a proposta de custo-benefício. É o estilo com que eu me identifico. Não tenho o perfil da ‘alta gastronomia’. É o estilo do meu projeto”, continua Miyake. “Já tenho clientes regulares, e, no ponto fixo, será uma forma de fidelizar. Penso em manter o food truck para divulgar a marca e fazer eventos pontuais nos fins de semana.”

Atualmente, o Furikake Food atende no food truck e em um stand instalado em um food park na rua Frei Caneca. O cardápio é composto por donburi (tigela de arroz com carne de frango ou porco), karê (curry), sanduíche de lombo com furikake e yakisoba, entre outros. Miyake pretende, inicialmente, manter o cardápio do food truck no restaurante.

Marcelo e seu sócio, Jackson Sardela, também mantiveram o food truck em operação após a inauguração do restaurante. “Mantemos o trailer para eventos. Trabalhar em food parks está mais difícil porque muitos fecharam. Nós estávamos na Praça Oswaldo Cruz, que, por enquanto, não está em funcionamento. Com a mudança da prefeitura, as regras mudaram. Deve voltar a ser food park, mas não sabemos quando e nem em quais condições.”

Nesses meses desde a inauguração, Marcelo percebeu que os clientes do food truck têm frequentado o restaurante. “Está tendo o boca a boca, a indicação, mais que no trailer. Com endereço e horário definidos, fica mais fácil.”

Mais conforto

Salão do restaurante Yu Yatai. Foto: Rafael Salvador

Entre as vantagens do ponto fixo, ambos os empreendedores entrevistados apontaram a maior facilidade de fidelização dos clientes e o oferecimento de um ambiente mais agradável para o consumo dos alimentos. O food truck frequentemente fica sujeito às condições climáticas, o que pode espantar a freguesia. Além disso, nem sempre as instalações de food parks são confortáveis e suficientes.

“No food truck, se chove, ninguém vai querer comer embaixo de chuva; mesma coisa com frio. Então nós temos essas limitações. No restaurante, poderemos oferecer um conforto muito maior, além da possibilidade de brincar um pouco com o cardápio”, avalia Miyake.

Yu Yatai manteve as especialidades no cardápio, como o takoyaki. Foto: Rafael Salvador

Marcelo e Jackson, de fato, aproveitaram o espaço do restaurante para aumentar o número de opções do cardápio. “Somos especializados em takoyaki e okonomiyaki, mas tínhamos que ter mais opções porque nem todo mundo vai querer comer isso sempre. Assim, temos opções de teishoku e teppan. Há alguns mais populares, como o yakisoba, e outros menos conhecidos do público geral, como carne de porco no miso [pasta de soja]. Vamos reavaliar o cardápio daqui a alguns meses.”

Segundo Marcelo, a rotina do restaurante é muito semelhante com a do food truck. “A administração é muito parecida. Apenas conseguimos fazer um estoque maior, até pelo aumento das opções do cardápio. Como aumentou a variedade de produtos, há novos fornecedores também”.

Um aspecto específico do food truck não deve deixar saudades em Marcelo e Jackson: a logística. “Cada dia estar em um lugar novo era bom e ruim. Era bom conhecer pessoas novas e lugares diferentes. Era bem complicado definir a quantidade de coisas para levar, especialmente para lugares distantes. Não podia sobrar nem faltar [ingredientes]. Assim como a movimentação, de sair e andar com o trailer no trânsito de São Paulo.