Conteúdo da Hashitag #12

Sabores ocultos

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Fotos: Henrique Minatogawa

Na cidade de São Paulo, há tantas opções de restaurantes japoneses que alguns acabam passando despercebidos. Há aqueles com fachadas modestas, mas que escondem verdadeiros achados gastronômicos e, o melhor, que não pesam muito no bolso.

Veja, a seguir, algumas sugestões de restaurantes undergrounds da capital paulista.


Tradição e arte

Kidoairaku oferece clima acolhedor e uma rica história

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Detalhe da decoração com entalhes em madeira feita pela senhora Miyako Matsui Fotos: Rafael Salvador

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“Keishoku Kissaten Kidoairaku”

O restaurante Kidoairaku esconde sua história por trás do toldo marrom da entrada quase imperceptível na esquina da rua Galvão Bueno com a São Joaquim, no bairro da Liberdade. Ao lado dos quatro lances de escada, a placa de madeira entalhada dá o primeiro indício da tradição do local. Ela foi feita pela senhora Miyako Matsui, que recepciona os clientes na entrada.

Antigamente, o “Keishoku Kissaten Kidoairaku” funcionava como uma cafeteria. “No cardápio, tinha mais doces como anmitsu, kakigori (raspadinha), fruits parfait. Entre os pratos salgados, servíamos apenas kare raisu, sauce yakisoba e tchahan”, lembra Kakuzui Matsui, atual chef do Kidoairaku.

O clima é acolhedor, que faz o visitante se sentir em uma casa, com xícaras dos membros da família e souvenirs ganhados de clientes enfeitando as prateleiras. No cantinho da senhora Miyako, a televisão sempre passa uma novela ou filme japonês, e os cartazes ao fundo destacam a carreira artística do filho, integrante do grupo de dança clássica japonesa, Hibiki Family.

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Teishoku é um tipo de combinado, equivalente ao prato feito
O ambiente também lembra muito um izakaya do Japão, com uma estante repleta de garrafas de bebidas dos frequentadores assíduos, cardápio do dia na parede e atendimento atencioso. O detalhe do balcão do salão e o quadro de madeira foram entalhados pela própria senhora Miyako (in memoriam**), que é descendente de ainus (comunidade indígena que vive no norte do Japão e que é reconhecida pela arte da escultura em madeira).

Kakuzui conta que a maior parte dos frequentadores são japoneses e que o cardápio foi desenvolvido pouco a pouco com as sugestões dos próprios clientes. No almoço, o cardápio é centrado nos teishokus – o equivalentes ao “prato feito”, que inclui uma carne, arroz e acompanhamentos como missoshiru e legumes em conserva. À noite, há variedades de petiscos como o edamame (soja verde) e o guioza. Entre as sobremesas, o zenzai, ou sopa de feijão doce com mochi (bolinho de arroz glutinoso), pode ser uma ótima opção para aquecer os dias frios.

Como chegar: a partir da estação São Joaquim do metrô, desça a rua São Joaquim até a esquina com a Rua Galvão Bueno. O restaurante fica em frente à Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, onde está localizado o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil.

Estacionamento: conveniado ao lado, na rua Galvão Bueno, 700.

Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 11h30 às 13h45 e das 18h30 às 22h30; sábado, das 11h30 às 13h45 e das 18h30 às 21h30

Melhor horário: no almoço, no começo da semana

Pagamento: não aceita cartões de crédito

**In memoriam, a senhora Miyako Matsui que costumava receber os clientes na entrada do restaurante Kidoairaku, morreu em janeiro de 2017. A Hashitag deixa suas sinceras condolências à família Matsui e agradece pelo importante legado deixado à gastronomia e à cultura japonesa no Brasil. (atualizado em 1 de fevereiro de 2017)


Frescor sem frescura

Uo Katsu serve um cardápio variado com despojamento

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Makizushis podem ser comprados por unidade e custa a partir de R$ 1,90, no Uo Katsu Fotos: Rafael Salvador
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Diariamente chegam cerca de 18 variedades de peixes e frutos do mar, no Uo Katsu
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Restaurante Uo Katsu fica na rua Manoel da Nóbrega, 1180
O restaurante Uo Katsu surgiu quase por acaso, quando ainda funcionava como uma peixaria. Na época, os clientes pediam para que o sr. Watanabe cortasse algumas peças de sashimi para consumir o peixe fresco ali, na hora. “Alguns clientes até lembram que comiam em pé mesmo e apoiavam o prato na porta do freezer”, recorda Cecília Watanabe.

Depois de alguns anos, a casa mudou de endereço, mas se manteve no mesmo bairro para preservar os clientes. “Acho que o fato de ter tantos restaurantes japoneses hoje em São Paulo é até bom, porque sabemos que os clientes que voltam é porque gostam da nossa comida e porque sabem diferenciar um bom peixe. Muitos que voltam comentam que não conseguem comer em outros lugares porque aprendem a identificar o frescor do peixe. Aqui, meu pai fica responsável por comprar os peixes e todos os dias ele acorda à 1h para ir ao Ceasa. Depois, limpamos os peixes e servimos no mesmo dia”, explica Fábio Watanabe, o atual chef da casa.

As mesas altas e compridas lembram o formato do próprio balcão de sushis para ser dividido com os demais frequentadores. Como o serviço é rápido, a rotatividade é grande, por isso, não é possível fazer reservas. Como o próprio cartaz na parede indica, a senha é chamada na ordem de chegada e todos do grupo precisam estar presentes para se dirigir à mesa. “Aqui não tem muita frescura”, brinca o chef. As bebidas são servidas em copos de plástico (com exceção do saquê, que é servido em masu, e da cerveja, em copo de vidro) e a comanda nominal deve ser paga diretamente no caixa. Caso você opte por incluir os 10% de taxa de serviço, a sra. Cecília faz questão de avisar aos funcionários com um sonoro: “caixinha!”. Ao que todos respondem em coro “obrigado!”.

De acordo com Fábio, em média, cada dia chega cerca de 18 variedades de peixes e frutos do mar. As fatias de peixe cru e os grelhados são vendidos de acordo com o peso do filé (um sashimi pesa em média 10 g). Os makizushis (enrolados) podem ser comprados por unidade e custam a partir de R$ 1,90 cada. “Gosto da liberdade de poder criar novas combinações e de servir o que poucos restaurantes servem ou costumavam servir antigamente. Fazemos sushi de sardinha, opções de makizushi com folha de mostarda no lugar da alga nori, sashimi de lula fresca, entre outros”, diz Fábio.

No cardápio ilustrado, há algumas sugestões de pratos combinados para facilitar a vida dos indecisos, mas quem tiver mais segurança na escolha dos peixes pode até personalizar o próprio tirashi. Nesse caso, o preço vai variar de acordo com a quantidade e com o tipo dos peixes escolhidos.

Como chegar: A partir do Monumento aos Bandeirantes, acesse a rua Manoel da Nóbrega e siga em frente. Passe a entrada do Ginásio do Ibirapuera. Siga por mais 200 metros e o Uo Katsu estará do lado esquerdo.

Estacionamento: conveniado na Rua Salto, 70.

Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 10h30 às 18h e sábado, das 12h às 16h.

Melhor horário: durante a semana, de preferência antes das 12h e depois das 14h00.

Pagamento: aceita somente Visa (débito e crédito) ou dinheiro.


Dica na Vila Mariana

Ten Sushi também conta com opções de pratos quentes

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Combinado de nigirizushi e temaki, do Ten Sushi Fotos: Henrique Minatogawa
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Detalhe do personagem da história infantil Momotaro, no Ten Sushi
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Sobremesa: gelatina de café com gelatina, do Ten Sushi
Uma das coisas mais legais da culinária é a descoberta de um restaurante novo; daqueles pequenos, típico de “quem conhece” mesmo. É o caso do Ten Sushi, localizado na Vila Mariana.

O restaurante é frequentado tanto por nipo-
-descendentes como por não descendentes. É notável também a presença de japoneses que vivem no Brasil.

A casa conta com pouco mais de 15 lugares, divididos entre mesas e o balcão – que faz muito sucesso entre as crianças. O ambiente lembra muito restaurantes do Japão, graças à decoração e a detalhes como o menu escrito em placas verticais.

O Ten Sushi iniciou suas atividades em 2008. “No começo, servíamos apenas sushi. Com o passar dos anos, as pessoas começaram a pedir os pratos quentes, então resolvemos alterar o cardápio”, conta Luana Matsue, gerente.

As opções incluem sushi, temaki, kare, oyako don, udon e tempurá, entre outros pratos.

A recomendação é um combinado que leva o nome da casa: Ten, cujo ideograma significa “paraíso” (veja foto). Entre as sobremesas, a mais pedida é a gelatina de café com sorvete.

“Sempre pensamos em manter a qualidade das refeições. Sempre preparamos os pratos na hora para os clientes perceberem a diferença. Não é igual um rodízio, em que geralmente as comidas já ficam prontas”, explica Luana.

O Ten Sushi funciona de quarta a sábado, das 12:00 às 14:30, depois das 18:00 às 22:00. O cardápio não varia do almoço para o jantar.

Como chegar: A partir da estação Santa Cruz do metrô, saia no lado ímpar da Rua Domingos de Morais e siga no sentido Jabaquara. Vire à esquerda na rua Loefgreen. Vire à direita na rua Afonso Celso e siga até o número 1251.

Estacionamento: não tem

Horário de funcionamento: de quarta a sábado, das 12h às 14h30 e das 18h às 22h

Melhor horário: a partir das 18h

Pagamento: somente cartão de débito ou dinheiro

 


Nova opção de lámen na Liberdade

Ramen Ya* oferece oferecia opções variadas em espaço amplo
*O estabelecimento Ramen Ya não está mais em funcionamento (atualizado em 29 de janeiro de 2015)

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Tantanmen é um tipo de lámen feito com moyashi, cebolinha, wakame, menma, carne suína, carne suína moída, tahine e layu
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O bairro da Liberdade é a mais consagrada concentração de restaurantes japoneses por metro quadrado em São Paulo.

Uma das casas mais recentes é o Ramen Ya, cuja especialidade é homônima. “Um dos diferenciais é o sistema de funcionamento, em que o cliente faz o pedido no caixa, paga e recebe uma senha para retirar seu pedido no balcão; após a refeição, o cliente deixa seu prato no balcão de devolução de louças. Outro fator é o espaço maior: temos mesas para grupos e famílias”, afirma Jun Takaki, sócio do restaurante.

Quanto à localização, ele avalia como positivo o fato de estar próximo do metrô e das lojas de produtos orientais.

O restaurante, inaugurado em fevereiro de 2014, está localizado onde funcionava o café Kohii. “Os clientes do Kohii não estranharam a mudança. Muitos deles acompanham as novidades pela mídia social e sempre comentam que sentem saudades do Kohii. Mas teremos novidades em breve”, avisa Takaki.

Somadas a opções clássicas (shio, shoyu e miso lámen, entre outros), o Ramen Ya também conta com preparos especiais.

“Como cada casa especializada em lámen tem seu próprio caldo, cada uma tem seu sabor e tempero, trabalhamos com os lámens tradicionais. Como são acompanhados sempre de carne suína, desenvolvemos opções com bacon e linguiça artesanal suína”, explica. “Temos também uma opção vegetariana, com caldo de shiitake, menma, moyashi, cebolinha e wakame”, completa Takaki.

O carro-chefe da casa, porém, é o tantanmen (foto), feito com moyashi, cebolinha, wakame, menma, carne suína moída, tahine e layu.

Como chegar*: a partir da Praça da Liberdade, desça a rua dos Estudantes e vire à direita na rua da Glória. O Ramen Ya fica no nº 326, descendo as escadas.

Estacionamento: não tem

Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 11:30 às 15:00 e das 18:00 às 22:00

Melhor horário: almoço, das 11:30 às 12:30; jantar, das 18:00 às 19:30

Pagamento: apenas dinheiro

*O estabelecimento Ramen Ya não está mais em funcionamento (atualizado em 29 de janeiro de 2015)

**In memoriam, a senhora Miyako Matsui que costumava receber os clientes na entrada do restaurante Kidoairaku, morreu em janeiro de 2017. A Hashitag deixa suas sinceras condolências à família Matsui e agradece pelo importante legado deixado à gastronomia e à cultura japonesa no Brasil. (atualizado em 1 de fevereiro de 2017)

Redação Hashitag Redação da revista e do site Hashitag
Conteúdo da Hashitag #12

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